Thursday, 5 July 2012

 no outro dia alguém partilhou no facebook uma daquelas imagens cliché que dizia para partilhar "se tens alguém no céu que gostarias de ouvir nem que fosse apenas por 1 minuto". nao partilhei, claro, mas foi a primeira vez que uma porcaria dessas que se poe no facebook me fez pensar. porque tenho. no céu ou sei lá onde. nao sei mas sei que é longe, porque já nao oico essa(s) voz(es) há muitos anos e de cada vez que me apercebo disso o coracao quer-me saltar do peito. e também pensei no facto de, mesmo nao ouvindo, é como se ouvisse. faz (fazem) parte da minha vida tal como antes, penso nele (nela, neles) tao frequentemente que às vezes nem acredito que já nao está (estao) cá.

a saudade é assim, acompanha-nos aonde quer que vamos. anos depois, a ausência dói com a mesma intensidade. quantas vezes estive na sala ao lado, sem prestar atencao à conversa... se fosse agora, dava uns bons anos de vida para poder passar outra vez 2 minutos à conversa. 1 minuto a ouvir a voz dele e a gargalhada dela. nao era preciso falar, nem tocar, só ouvir. ou ver. nao era preciso ele, ela, eles falarem comigo ou verem-me, nao era preciso que fosse uma conversa filosófica ou um conselho para a vida, só queria vê-los outra vez a falarem entre eles, a refilarem um com o outro, até a combinarem se haviam de gravar a telenovela ou nao, a rirem-se dos meus disparates enquanto abanavam a cabeca a fingir que me recriminavam pela asneirada que tinha dito. e quando digo que "dava anos de vida", nao digo isto de ânimo leve - dava mesmo, caralho!

porque vê-los e ouvi-los me daria mais vida nos menos anos que viveria do que a vida que teria vivendo mais anos.

amén.

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