no outro dia alguém partilhou no facebook uma daquelas imagens cliché que dizia para partilhar "se tens alguém no céu que gostarias de ouvir nem que fosse apenas por 1 minuto". nao partilhei, claro, mas foi a primeira vez que uma porcaria dessas que se poe no facebook me fez pensar. porque tenho. no céu ou sei lá onde. nao sei mas sei que é longe, porque já nao oico essa(s) voz(es) há muitos anos e de cada vez que me apercebo disso o coracao quer-me saltar do peito. e também pensei no facto de, mesmo nao ouvindo, é como se ouvisse. faz (fazem) parte da minha vida tal como antes, penso nele (nela, neles) tao frequentemente que às vezes nem acredito que já nao está (estao) cá.
a saudade é assim, acompanha-nos aonde quer que vamos. anos depois, a ausência dói com a mesma intensidade. quantas vezes estive na sala ao lado, sem prestar atencao à conversa... se fosse agora, dava uns bons anos de vida para poder passar outra vez 2 minutos à conversa. 1 minuto a ouvir a voz dele e a gargalhada dela. nao era preciso falar, nem tocar, só ouvir. ou ver. nao era preciso ele, ela, eles falarem comigo ou verem-me, nao era preciso que fosse uma conversa filosófica ou um conselho para a vida, só queria vê-los outra vez a falarem entre eles, a refilarem um com o outro, até a combinarem se haviam de gravar a telenovela ou nao, a rirem-se dos meus disparates enquanto abanavam a cabeca a fingir que me recriminavam pela asneirada que tinha dito. e quando digo que "dava anos de vida", nao digo isto de ânimo leve - dava mesmo, caralho!
porque vê-los e ouvi-los me daria mais vida nos menos anos que viveria do que a vida que teria vivendo mais anos.
amén.
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